Lembro-me claramente da vez em que acordei às 4h da manhã com o coração acelerado porque o edital sairia naquele dia. Eu já havia tentado dois concursos, cheguei perto em um e fui eliminado por poucos pontos no outro. Na minha jornada de mais de 10 anos acompanhando concurseiros como jornalista e estudando métodos de preparação, aprendi que passar em concurso não é fruto só de sorte — é estratégia, rotina e psicologia bem alinhadas.
Neste artigo você vai aprender, passo a passo, como passar em concurso: como montar um plano de estudos eficaz, quais técnicas de memorização funcionam, como escolher materiais confiáveis, como montar a rotina de revisões e resolução de questões, além de estratégias para o dia da prova e para manter a saúde mental durante a preparação.
Entenda o jogo: por que muitos não conseguem passar
Você já se perguntou por que mesmo estudando horas algumas pessoas não avançam? A resposta comum: estudo ineficiente.
- Foco em leitura passiva (lendo sem testar a memória).
- Falta de um plano ancorado no edital.
- Pouca resolução de questões e ausência de simulados cronometrados.
- Revisões espaçadas mal planejadas.
Segundo revisões científicas sobre técnicas de estudo (ex.: Dunlosky et al., 2013), estratégias como prática de recuperação (responder sem consultar o material) e revisão espaçada são altamente eficazes. Link para o estudo: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC5453624/
Passo 1 — Decifre o edital como um mapa
O edital é o mapa do tesouro. Não comece a estudar antes de ter lido o edital com atenção.
- Identifique cargos, vagas, requisitos e conteúdo programático.
- Marque pesos e pontuações por disciplina (alguns concursos têm peso maior em certas matérias).
- Veja critérios de desempate, presença de provas discursivas, títulos e etapas.
Exemplo prático: em um concurso para auditoria, percebi que a parte de contabilidade tinha maior peso — mudei minha prioridade e priorizei exercícios dessa área nas primeiras 8 semanas.
Passo 2 — Plano de estudos com metas reais
Sem plano, não há progresso mensurável. Monte um cronograma semanal e mensal.
- Divida o conteúdo do edital em blocos de estudo (temas e subtemas).
- Defina metas diárias (ex.: “2h de Direito Administrativo + 50 questões de Direito Constitucional”).
- Use técnicas de pomodoro (25–50 min concentrado / 5–10 min descanso).
Minha regra pessoal: 60% do tempo em teoria+prática inicial, 40% em resolução de questões e revisões. Em meses próximos à prova inverti isso.
Passo 3 — Estude ativamente (não apenas leia)
Estudo ativo é a chave. Ler sublinha é conforto; testar-se funciona.
- Prática de recuperação: faça quiz e tente explicar o conteúdo em voz alta.
- Fichas (flashcards) e repetição espaçada (SRS) para memorização de regras e artigos.
- Resumos curtos: transforme cada assunto em 1-2 páginas ou mapas mentais.
Ferramentas úteis: Anki (para SRS), planejadores semanais e aplicativos de temporizador. Por que isso funciona? Porque forçar a memória fortalece as conexões neurais (prática de recuperação comprovada).
Passo 4 — Resolva questões com objetivo
Questões antigas são o termômetro do concurso. Não passe sem elas.
- Comece pelas provas referentes à banca do seu concurso (CESPE/CEBRASPE, FCC, FGV, etc.).
- Analise cada erro: qual foi a falha — leitura, falta de teoria, falta de prática?
- Simulados mensais cronometrados para treinar tempo e resistência.
Eu cataloguei erros em uma planilha: tema, tipo de erro, material de revisão. Em 6 meses reduzi erros recorrentes em 70%.
Passo 5 — Revisão com periodicidade inteligente
Revisar é o que transforma estudo em memória de longo prazo.
- Sistema sugerido: revisar 1 dia, 3 dias, 7 dias, 15 dias e 30 dias após o primeiro contato.
- Use flashcards para itens concretos (datas, artigos, conceitos).
- Reveja erros de prova semanalmente até que se tornem raros.
Passo 6 — Estratégia para o dia da prova
Ter um roteiro para a prova reduz ansiedade e evita “empacar”.
- Leia a prova toda em 10–15 minutos para mapear o nível de dificuldade.
- Responda primeiro as questões fáceis e de maior peso.
- Marque as questões para revisão; não gaste tempo excessivo em uma só.
- Se houver questão dissertativa, esboce a estrutura antes de escrever.
Na minha experiência, provar a si mesmo que pode manter a calma já resolve meio problema.
Passo 7 — Saúde física e mental importam
Horas de estudo não compensam exaustão. Sem sono e sem equilíbrio você perde eficiência.
- Durma 7–8 horas por noite sempre que possível.
- Alimente-se bem e hidrate-se — seu cérebro precisa de combustível.
- Inclua exercícios leves: caminhar 30 minutos melhora concentração.
- Se a ansiedade for intensa, busque ajuda profissional (psicólogo).
Materiais e cursos: como escolher
Qualidade > quantidade. Prefira materiais alinhados ao edital e à banca.
- Livros e apostilas atualizados, cursos que mostrem provas resolvidas.
- Comunidades e grupos: úteis para troca, mas cuidado com distrações.
- Evite acumular materiais — consolide e aprofunde no que funciona.
Erros comuns que você deve evitar
- Estudar sem simular tempo de prova.
- Focar só em teoria e esquecer a prática intensiva de questões.
- Mudar constantemente de método sem dar tempo para medir resultados.
- Comparar-se obsessivamente com outros concurseiros nas redes.
Checklist prático para começar hoje
- Ler o edital e anotar prazos e conteúdo.
- Montar um cronograma semanal com metas claras.
- Separar 30–60 minutos diários para resolução de questões.
- Criar um sistema de revisão (flashcards/SRS).
- Agendar um simulado a cada 4 semanas.
Perguntas frequentes (FAQ)
Quanto tempo preciso estudar por dia?
Depende do seu ponto de partida e da vaga. Para quem trabalha, 3–5 horas diárias bem aproveitadas podem ser suficientes; em tempo integral, 6–8 horas com pausas e alta qualidade de prática. Mais importante que horas é a eficiência.
É melhor estudar sozinho ou em curso?
Depende do seu perfil. Cursos ajudam com disciplina e material; estudo solo exige autogestão. Uma combinação — curso para base + estudo guiado por você — costuma ser ideal.
Como manter a motivação por meses ou anos?
Divida metas em ciclos curtos, celebre pequenas vitórias (redução de erros, aumento de acerto em simulados) e mantenha uma rotina de autocuidado. Conectar o objetivo a um motivo pessoal forte ajuda (estabilidade, família, projeto de vida).
Conclusão — Resumo prático
Passar em concurso é planejar com inteligência, estudar ativamente, resolver muitas questões e revisar de forma espaçada. Cuide da saúde física e mental e ajuste sua estratégia conforme os resultados dos simulados. Pequenas mudanças consistentes geram grandes resultados.
FAQ rápido: Relembre — leia o edital, monte plano, estude ativamente, resolva questões, revise com SRS, faça simulados, cuide da saúde.
Mensagem final: você não precisa reinventar o método — precisa de disciplina, foco e de um plano bem executado. Comece pequeno, comece agora.
E você, qual foi sua maior dificuldade com como passar em concurso? Compartilhe sua experiência nos comentários abaixo!
Referências e fontes úteis:
- Dunlosky, J. et al. (2013). “Improving Students’ Learning With Effective Learning Techniques”. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC5453624/
- Site da banca CEBRASPE (exemplo de editais e provas): https://www.cebraspe.org.br/
- Para notícias e informações sobre concursos e editais (portal de referência): G1